Mention something, mention anything…
Acho que uma das coisas que nos aproxima enquanto seres humanos é a capacidade de nos identificarmos uns com os outros. A capacidade de sentirmos outra pessoa, precisamente porque numa altura ou outra da vida, fizémos o mesmo caminho que ela. E sabemos isso sem ela sequer ter de explicar, porque estas coisas nem se explicam. Duas (ou mais) pessoas que sentem ou sentiram a mesma coisa entendem-se de uma forma que só elas compreendem. E por vezes sentimo-nos sozinhos nessa experiência, porque ainda não se cruzou connosco alguém que partilhasse algo que nos é comum.
Isto tudo porque dou por mim a pensar o que pode unir uma, depois duas, três, seis, nove, dezenas, centenas, mesmo milhares de pessoas. É essa identificação. É esse sentimento de: “estou/estive no mesmo lugar que tu”. E porque dou por mim a ouvir Tool e desde que isso começou, dou-me conta do quer dizer, da intensidade e do que significa para cada uma das pessoas que também gostam e compreendem o que digo, sem precisar dar grandes explicações.
É impressionante o efeito em dominó que pode ter alguém que um dia pega numa caneta e descorre-nos para o papel, escreve-nos. Alguém que quando o faz nem tem noção do quanto nos pode estar a despir porque é alguém que nos conhece, “só pode!”, pela maneira como nos descobre sentimentos que não queremos por vezes dividir com ninguém, sentimentos só nossos e estão ali, numa música! “como é possível?!” porque no meio da nossa solidão dentro desse sentimento, afinal estamos acompanhados. É a única forma de racionalizar isto. Porque no meio de tanta distracção, no meio de tanto alheamento uns em relação aos outros, há algo que nos é comum: sermos humanos. E no meio de tanta diferença, olha, tanta parecença também.
Perguntam-me porque os ouço tanto, de manhã à noite, sempre que posso. Porque mexe tanto comigo. Porque me diz tanto. Porque me toca desta maneira. E a resposta é tão simples: porque faz eco. Porque ressoa aqui dentro. Existe alguém que partilha esta angústia, esta alegria, esta tristeza, este sarcasmo, esta questão comigo. E com ela faz música. Existe melhor forma de chegar aqui dentro? acho que não.
Às vezes, com os meus Amigos mesmo, mesmo chegados, tenho sorrisos e olhares que dizem mil palavras que só nós sabemos. Estou a ouvir Tool e dou por mim a sorrir muitas vezes: são as palavras que nem preciso dizer, que não preciso explicar.
I embrace my desire to
feel the rhythm, to feel connected
enough to step aside and weep like a widow
to feel inspired, to fathom the power,
to witness the beauty, to bathe in the fountain,
to swing on the spiral
of our divinity and still be a human.